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Caetano Veloso e Jorge Mautner – Eu não peço desculpa 3 abril, 2009

Filed under: caetano veloso e jorge mautner — sonidobueno @ 12:58 pm
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folderEu não peço desculpa
por Caetano Veloso:

As risadas e os sustos que as conversas com Mautner sempre provocam, excitaram minha imaginação de modo especial nos encontros que tivemos, entre outubro e dezembro de 2001, o que me levou a desejar fazer um disco em colaboração com ele. A amizade que mantemos desde que nos vimos pela primeira vez, em Londres, no começo da década de 1970, é e foi sempre muito importante para mim. Mas nunca tive tão clara em minha mente a pergunta sobre minha verdadeira ambição quanto durante esses papos mais recentes: certamente o que ambiciono não é a fama e menos ainda a riqueza “material”; será a poesia?, a política? ou… a profecia?

Foi essa hipótese da ambição profética que me levou a propor a Mautner o disco conjunto. Porque Jorge é uma improvável mistura de paganista com profeta de Israel. Daí é que vem o fascínio que sua curiosa personalidade paraliterária, paramusical, e parapolítica (sua instigante personalidade tout court) exerce sobre mim.Sem dúvida, é dessa combinação que vieram suas inclinações de adolescência para liderar movimentos com características quase fascistas, o que, paradoxalmente(?), o levou aos altos círculos do Partido Comunista e, sobretudo, à produção de um romance assombrosamente forte chamado “Deus da Chuva e da Morte”. A experiência, na extrema juventude, de debruçar a imaginação mítica sobre informações secretas da política pesada deu-lhe uma visão única (e mais contraditória na aparência do que na realidade) de como se joga com o poder no mundo. Uma visão que ele não cansa de reconstruir, me virar, atualizar.

Os terríveis acontecimentos de 11 de setembro de 2001, envolvendo Nova Iorque, cidade amada por ele e por mim, e repercutindo na situação de Israel, país que adoramos, e no vasto Islã, que nos fascina e nos remete à pergunta pelo destino da idéia central do povo Judeu, o Monoteísmo, nos levaram a conversas sobre o mundo, o Brasil, a vida dos homens. Nessas conversas, às vezes eu sentia medo. Pois bem: foi para espantar o medo que decidi pedir a Jorge que deixássemos tudo desaguar em canções. Depois de vê-lo, no carnaval de 2002, em Salvador, cantar o “Hino do Carnaval Brasileiro”, num trio elétrico, em meio a um verão singularmente amargo para mim, entendi que o disco teria que ser feito logo que eu voltasse para o Rio. As canções que fizemos não lembram ou ilustram essas conversas de que falei. São, em geral, canções pop-paródicas: elas exibem o distanciamento que Mautner mantém em sua permanente metamorfose apaixonada. Fazem rir e podem fazer chorar.

(…)Nelson Jacobina estava sempre lá: o grande Nelson, o Carneirinho, principal parceiro de Jorge (não só o mais freqüente como também co-autor das obras-primas). Fabiano, pilotando, só transmitia tranqüilidade, doçura e segurança. Tarta, quase que só doçura. Havia também uma foto da Luana Piovani pregada na porta, do lado de dentro do estúdio. Dizíamos que ela era a nossa padroeira: ela foi a madrinha da bateria do nosso samba. Um dia eu a levei lá. Em carne e osso. Parecia uma visão irreal. Ela ficou até o fim da sessão. Todos os rapazes ficaram extasiados. Ninguém se recuperou ainda direito. Quem canta seus males espanta. Este disco é para a gente atravessar esses tempos de homens-bomba, especulação globalizada, dengue e insegurança. Com a ajuda da lua de Jorge – e das Luanas – chegaremos vivos a um outro ambiente.

FONTE

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01. Todo errado
02. Feitiço
03. Manjar de reis
04. Tarado ////PLAY 1////
05. Maracatu atômico
06. O namorado
07. Coisa assassina
08. Homem bomba
09. Lágrimas negras
10. Morre-se assim
11. Graça divina
12. Cajuína
13. Voa, voa perereca
14. Hino do carnaval brasileiro ////PLAY 2////

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Fino Coletivo 6 janeiro, 2009

Filed under: fino coletivo — sonidobueno @ 5:36 pm
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É sempre bom ouvir bandas novas e boas, e a banda Fino Coletivo se encaixa perfeitamente nestes dois quesitos.

Uma união inusitada entre Alagoas e Rio de Janeiro é a trama de sete músicos.

A história da banda começou em meados de 2005, após encontro dos alagoanos Wado e Alvinho Cabral, do projeto “Wado e Realismo Fantástico”, com o compositor carioca Marcelo Frota, o Momo.

Passada uma fase de troca de experiências entre a dupla nordestina e o músico carioca, surgiu então a idéia do trio juntar suas turmas. Wado e Cabral apresentaram ao grupo Adriano Siri, da banda Santo Samba. Marcelo levou o também carioca Alvinho Lancellotti, compositor e parceiro de longa data.

Estava formado o quinteto, num caso de afinidade à primeira vista. As composições surgiram com naturalidade, até o despertar de uma nova empreitada.
Com um repertório inédito e inovador nas mãos, era preciso convocar mais dois amigos: o baixista Daniel Medeiros, também responsável pelas programações, e o baterista Marcus Coruja.

Depois de azeitar o repertório e sonoridade em apresentações no eixo Rio-São Paulo, a banda sentiu-se à vontade para a gravação do disco de estréia, homônimo, lançado em abril de 2007 pela DUBAS.

São doze músicas inéditas, de composição própria, e parcerias com Ivor Lancellotti e Totonho dos Cabra. O CD conta ainda com participação especial de Domenico Lancellotti, do projeto “+2”.
Por conta de projetos pessoais Wado e Marcelo Frota não estão mais na banda, porém continuam presentes nas composições.

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01. Boa hora
02. Tarja Preta – Fafá
03. Dragão
04.  Na maior alegria
05. Partiu partindo
06.  Uirapuru
07. Mão na luva
08.  Uma raíz, uma flor ////PLAY////
09. Poema de Maria Rosa
10. Hortelã
11.  Tempestade
12. Medo da briga

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DJ Patife – Na Estrada 17 dezembro, 2008

Filed under: dj patife — sonidobueno @ 3:50 pm
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Na Estrada é o primeiro disco em que o DJ Patife produz todo o material. O DJ vê o trabalho como uma empreitada mais autoral, que reflete mais sua identidade e gosto próprios, indo muito além do drum n’ bass, estilo com o qual é mais associado. Um exemplo disso é a releitura de “Overjoyed”, do mestre Stevie Wonder, na voz do inglês Cleveland Watkiss.

O nome do trabalho vem das incessantes viagens que Patife fez durante sua carreira. Segundo o DJ, boa parte das músicas foram criadas “na estrada”. As turnês não ficaram apenas no Brasil, passando por países como Alemanha, Austrália, Áustria, Eslovênia, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, Portugal e Cingapura, entre outros.

Concebido internacionalmente, “Na Estrada” é um projeto com ares brasileiros. O disco conta com músicas de Jorge Ben (“Que pena”), Nando Reis (“Diariamente”), Laura Finnochiaro e Leca Machado (“Link”) e Raissa (“Secrets”).

Um ótimo disco pra animar o ambiente que vecê pode baixar na íntegra aqui no Sonido Bueno.

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01. Diariamente ////PLAY////
02. Overjoyed (Album Version)
03. Enigma
04. Lovin U
05. Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim)
06. The Midnighter (Live Bar Mix)
07. The Secret
08. Forgiven
09. Link
10. Made in Bahia
11. The Midnighter (DJ Mix)
12. Overjoyed (Club Version)

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Ed Motta – Dwitza 16 dezembro, 2008

Filed under: ed motta — sonidobueno @ 8:42 pm
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Para explicar o espírito de seu novo disco, Ed Motta faz um paralelo com a tradição no preparo do churrasco gaúcho. “A carne só precisa do sal, mais do que isso você já está começando a tirar os elementos naturais dela. Dwitza é mais ou menos assim. É uma espécie de churrasco de música, que soa o mais natural possível”, compara o músico. Essa analogia explica o aviso que aparece no encarte do CD, informando que a dinâmica e as vozes dos instrumentos foram mantidas durante a gravação, a mixagem e a masterização. E que não foram utilizados equipamentos de estúdio como reverberadores, equalizadores e compressores. “Hoje, tecnicamente falando, grande parte dos discos produzidos têm o mesmo som por causa desses equipamentos”, comenta. “Porque as pessoas ficam dentro do estúdio com um analisador de espectro, gravando um disco como se estivessem fazendo um vôo”, diz o cantor, 30 anos, cinéfilo de carteirinha, enólogo, fã de história em quadrinhos, colecionador e garimpador de discos em sebos.

Além desse aspecto técnico, Dwitza é um projeto ousado que expõe a maturidade e a privilegiada cultura musical de Ed Motta. Disco sofisticado e praticamente instrumental – apenas três canções são cantadas: “Valse Au Berre Blanc” (a letra é uma relação de vinhos e queijos), a bossa nova “Doce Ilusão” (escrita por Nelson Motta) e “Coisas Naturais” (parceria com Ronaldo Bastos) – Dwitza sintetiza bem as influências e os gostos musicais do artista carioca. Justamente ele, que no início de carreira – radicalmente ligado ao funk e à soul – repelia outros estilos, especialmente qualquer coisa referente à MPB.

Belo, sofisticado e diferente de tudo o que ele já havia feito (e muito bem, diga-se de passagem!). Assim é Dwitza, um álbum que vai na louvável contramão da indústria e de seus padrões. E que, acima de tudo, confirma Ed Motta como um dos grandes nomes da música brasileira contemporânea.

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01. Um dom pra Salvador
02. No Carrão eu me Perdizes na Consolação
03. Sus-tenta
04. Doce Ilusão
05. Lindúria
06. Valse ou Beurre Blanc
07. Amalgasantos
08. A Balada do Mar Salgado
09. Coisas Naturais ////PLAY////
10. Malumbulo
11. Madame pela Umburgo (No seu teatro dos olhos)
12. Cervejamente Total
13. Papuera
14. Instrumentida

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Bebeto Alves – Devoragem 24 setembro, 2008

Filed under: bebeto alves — sonidobueno @ 1:49 pm
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Longe das câmeras das redes de TV e das rádios comerciais, o cantor e compositor Bebeto Alves dá continuidade à carreira com o lançamento do novo álbum, “Devoragem”. O álbum traz 12 faixas que em alguns momentos apresentam similaridades com um ou outro nome da MPB, mas no final dá para perceber que é o jeito Bebeto Alves de ser.
Músicas calmas e belas como “Tchau” conseguem conviver harmoniosamente com outras que tem a energia do Rock n’ Roll, como “Se Eu Soubesse”. Em vários momentos, ao ouvir o modo de cantar de Alves, vem à mente Caetano Veloso e, às vezes, até Zeca Baleiro. Mas é uma impressão que passa depois de algumas audições.

“O Demolidor” é a ótima faixa que abre o disco. O acordeom na música traz uma melodia que fica na cabeça e tem algo típico do Sul, região de origem do cantor. “Periferia” é um dos momentos em que Caetano, nos tempos de “Fora da Ordem”, é lembrado.

Há duas músicas em espanhol no disco, “Liquido” e “Globalización”. A primeira traz uma carga emotiva muito boa na interpretação de Bebeto Alves. A música é basicamente ao piano, com algumas inserções de percussão eletrônica. Aliás as inserções eletrônicas são marcantes em praticamente todo o álbum. Mas não se trata de batidas eletrônicas, são inserções que ajudam a criar a música e não somente a dar ritmo.

Há espaço no disco para um sambinha na música “Naval”, e um certo ar meio psicodélico em “Osseva”, mostrando como Bebeto Alves consegue tomar diferentes rumos nas músicas.

Fonte

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01. O Demolidor
02. Periferia
03. Liquido
04. Tchau
05. Se Eu Soubesse
06. Devim
07. Pedra Pedrinha ////PLAY////
08. Devoragem
09. Globalización
10. Why?
11. Naval
12. Osseva

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