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Mayra Andrade – Navega 8 julho, 2009

Filed under: mayra andrade — sonidobueno @ 5:23 pm
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FolderFoi aí que entrei em estado de choque, porque uma descoberta assim não acontece todos os dias: Mayra Andrade redesenha os contornos musicais do seu país, Cabo Verde, com graça, aprumo, e, coisa rara para uma jovem que ainda não chegou aos vinte anos de idade, contida. Obviamente, sabemos, graças a Cesária Évora, onde fica esse arquipélago (a 500 km de distância do Senegal) e descobre-se que essa terra árida não canta num só tom, pois é abundante de ritmos, Morna, Coladera, Funana, Batuque, que ela é rica em autores e intérpretes, raramente a viverem no seu país, longe das suas origens, mesmoexilados.

Mayra não é uma exilada. Vive em Paris desde 2003 e os seus pais transmitiram-lhe o gosto do balanço: nascida em Cuba, cresceu entre o Senegal, Angola, Alemanha e ainda… Cabo Verde.  Na sua infância, as primeiras cantigas de ninar são brasileiras.  Mas foi com uma canção do seu país, em crioulo cabo-verdeano, que ela ganhou a Medalha de ouro nos Jogos da Francofonia no Canadá, entre 35 concorrentes. Tinha então 16 anos. Mayra incendeia os palcos, na Praia e no Mindelo (em Cabo Verde), depois em Lisboa, e, finalmente em França, a partir de 2002, desde as pequenas salas parisienses até aos grandes festivais de Verão. Assegura a primeira parte de Cesária Évora no New Morning. No Brasil, representa ainda uma vez o seu país, com um single a favor da luta contra a Sida, ao lado de Lenine e Chico Buarque, entre outros. Em 2005, Aznavour convida Mayra para o seu novo album, num duo em francês. Por onde ela se mostra, o seu talento impõe-se.

Eis-nos então chegados a “Navega”. Um álbum contagiante, que tem uma produção simples, em tons acústicos, no qual ela afirma convictamente a sua liberdade. É verdade que ela canta… 93% na língua patrimonial do arquipélago, mas é o disco de uma cabo-verdeana urbana, e que, além do mais, é parisiense.

Ela transmite e remexe essa vivência parisiense, com dois dos seus pilares (o baixista dos Camarões Etienne Mbappé e o seu companheiro de palco, o percussionista brasileiro Zé Luis Nascimento) e traz com ela um notável guitarrista, seu compatriota, Kim Alves. Alguns convidados de peso são o virtuoso brasileiro Hamilton de Holanda (bandolim), o duende de Madagascar Régis Gizavo (acordeão), o violoncelista Vincent Segal, seus cúmplices de palco, e os guitarristas brasileiros Tarcisio Gondim e Nelson Ferreira. Em destaque, uma canção em francês, a única, graças ao inesperado Téte, “Comme s’il en pleuvait”, numa interpretação reguila. Um álbum subtilmente produzido por um especialista do género, Jacques Ehrhart (Henri Salvador, Camille).

Estes ingredientes, jazz, afro, e brasileiros dão outros reflexos às músicas que vêm do arquipélago (quatro são da autoria do importante autor e compositor Orlando Pantera, recentemente desaparecido, outras vêm de penas inspiradas de Cabo Verde). Três temas saíram da pena de Mayra Andrade, em colaboração com Patrice Larose.

Enquanto se devora o disco, aprecie também os textos, onde o drama está ao lado do cómico, o exílio onde se perde o destino choca com a democracia que não sabe para onde vai, personagens sem idade cruzam-se com figuras de outra idade…

Com “Navega”, com uma voz de fazer transbordar as almas e de enlouquecer os corações, Mayra Andrade domina no seu balcão e navega… para conquistar os mares e as terras.

FONTE

Taí mais um disco daqueles que ouvimos de cabo-a-rabo sem problema algum. Todas as músicas são boas! Uma baita comtribuição da Lulu Hypolito. Valeu Lulu!

Ah! Confira também ESTE clipe da Mayra Andrade com a Mariana Aydar (quase um angrama!) produzido pelo Música de Bolso. Confira!!

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01. Dimokránsa
02. Lapidu na bo
03. Mana
04. Tunuka ////PLAY 1////
05. Comme s’il en pleuvait
06. Nha sibitchi
07. Lua
08. Navega
09. Poc li denté é tcheu ////PLAY 2////
10. Dispidida
11. Nha Nobréza
12. Regasu

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Bobby McFerrin – Circlesongs 22 abril, 2009

Filed under: bobby mcferrin — sonidobueno @ 4:56 pm
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album-circlesongs

Talves você não se lembre do nome Bobby McFerrin num primeiro momento, mas com certeza  você já  deve ter ouviu o seu maior hit, Dont worry, be happy. Afinal de contas quem já não saiu por ai assobiando as notas dessa música?

Pois bem…as músicas desse CD são bem diferentes em todos os aspectos possíveis.

Trata-se de um trabalho fantástico, onde as músicas são compostas sem nenhuma palavra. Bobby e mais doze cantores fazem todos os sons. Mais ou menos ao estilo de Vésper Vocal, grupo vocal já presente aqui no Sonido Bueno.

Circlesongs é um álbum altamente experimental, e como o próprio nome sujere, as músicas têm um padrão circular de construção, onde parte dos cantores repetem um mesmo riff sem parar, enquanto os outros cantores vão improvisando em cima dessa base, e esse conceito se repete ao longo de todo o disco.

O clima desse trabalho nos remete diretamente à música africana, com seus sons agradáveis, relaxantes e ritmos bem marcantes.

Ouvir esse CD certamente será uma experiência única.

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01. Circlesong One
02. Circlesong Two
03. Circlesong Three
04. Circlesong Four
05. Circlesong Five
06. Circlesong Six
07. Circlesong Seven
08. Circlesong Eight ////PLAY////

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